O crescimento deve permanecer estável em 2027; por que os riscos ainda pendem para a baixa?

  • O Goldman Sachs prevê que o crescimento do PIB global em 2027 seja semelhante ao de 2026. Uma hipótese central dessa avaliação é que a queda dos preços de energia compensará o enfraquecimento do impulso do estímulo fiscal e da IA. A estabilidade do crescimento depende da compensação entre várias forças, e não de todos os motores permanecerem estáveis.
  • A evolução efetiva dos preços de energia está aumentando a pressão: a escalada das tensões no Oriente Médio elevou os preços de energia para perto das máximas da primavera. Isso vai na direção contrária à queda de preços necessária no cenário-base e constitui um contexto importante para a avaliação do Goldman Sachs de que os riscos pendem claramente para a baixa.
  • Outra pressão vem dos custos de financiamento. Desde o início de 2026, os juros de longo prazo subiram 100 pontos-base. Segundo cálculos do Goldman Sachs, isso pode reduzir cumulativamente o nível do PIB em cerca de 0,6%, por meio do enfraquecimento do setor imobiliário e do investimento, e não reduzir diretamente a taxa de crescimento de um determinado ano em 0.6 ponto percentual.

Com o crescimento sob pressão, por que ainda se espera uma alta de juros menor do que a precificada pelo mercado?

  • A avaliação global mais clara do Goldman Sachs é que a alta acumulada final dos juros pelos bancos centrais será menor do que a atualmente precificada pelo mercado. Ainda assim, o banco prevê que o Federal Reserve e o Banco Central Europeu poderão fazer, cada um, uma última alta de 25 pontos-base em dezembro: a divergência diz respeito a toda a trajetória de alta dos juros, e não à possibilidade de mais um aumento no curto prazo.
  • O desempenho econômico também varia entre regiões. Impulsionado pelo crescimento ligeiramente mais rápido no terceiro trimestre, o Goldman Sachs elevou sua previsão de crescimento do PIB da China em 2026 para 4,6%. Essa revisão para cima coexiste com a avaliação de riscos globais de baixa; a pressão global não significa que as previsões para todas as economias sejam reduzidas.

O apetite por risco caiu a níveis baixos; o que sustenta o sobrepeso em ações?

  • O indicador de apetite por risco do Goldman Sachs caiu para -0.5, o menor nível desde abril de 2025, mas o banco mantém sobrepeso em ações e subpeso em ativos de crédito nas alocações de 3 e 12 meses. Trata-se de uma alocação moderadamente inclinada ao risco e seletiva.
  • A sustentação para as bolsas no fim do ano vem dos lucros, do posicionamento leve dos investidores e das avaliações mais baixas. Com base nisso, o Goldman Sachs espera que o índice S&P 500 suba após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, embora as preocupações com a IA e as tensões geopolíticas ainda possam causar volatilidade no curto prazo.
  • As restrições de curto prazo também são concretas: resultados de grandes empresas de tecnologia, decisões de bancos centrais e as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos estarão concentrados nas próximas duas semanas, e o mercado de opções já precificou uma incerteza elevada. Uma visão otimista para o fim do ano pode coexistir com o aumento da volatilidade no curto prazo.

Contra quais dois tipos de choque a alocação precisa se proteger?

  • As ações de tecnologia se tornaram um importante fator para o apetite por risco entre classes de ativos: recentemente, o desempenho de diversas classes de ativos tem sido mais sensível às ações de semicondutores do que aos preços do petróleo. Por isso, o Goldman Sachs prefere usar o iene como proteção contra preocupações relacionadas à IA e contra a transmissão do sentimento sobre tecnologia para outros ativos.
  • Os choques de energia são tratados de outra forma: o Goldman Sachs recomenda exposição direcionada ao petróleo bruto e ao gás natural europeu. Isso corresponde à hipótese de queda dos preços de energia em seu cenário-base de crescimento: se a situação no Oriente Médio continuar elevando os preços de energia, a carteira mantém a exposição pertinente para enfrentar esse risco.